"Nunca durmo:vivo e sonho,ou,antes,sonho em vida e a dormir, que também é vida.Não há interrupção em minha consciência:sinto o que me cerca se não durmo ainda, ou se não durmo bem; entro logo a sonhar desde que deveras durmo.Assim o que sou é um perpétuo desenrolamento de imagens,conexas ou desconexas, fingindo sempre de exteriores,umas postas entre os homens e a luz se estou desperto, outras postas entre os fantasmas e a sem-luz se vê, se estou dormindo.Verdadeiramente, não sei como distinguir uma coisa da outra, nem ouso afirmar se não durmo quando estou desperto, se não estou a despertar quando durmo.
A vida é um novelo que alguém emaranhou.Há um sentido nela,se estiver desenrolada e posta ao comprido, ou enrolada bem.Mas, tal como está,é um problema sem novelo próprio,um embrulhar-se sem onde.
Sinto isto,que depois escreverei,pois que vou já sonhando as frases a dizer..."
A vida é um novelo que alguém emaranhou.Há um sentido nela,se estiver desenrolada e posta ao comprido, ou enrolada bem.Mas, tal como está,é um problema sem novelo próprio,um embrulhar-se sem onde.
Sinto isto,que depois escreverei,pois que vou já sonhando as frases a dizer..."
in 'O Livro do Desassossego' de Fernando Pessoa

1 comentário:
A vida é isso mesmo um conjunto de conjecturas, de sonhos e ilusões, é "um novelo emaranhado" cabendo a nós desenrola-lo pacientemente na espectativa de alcançar o fim, o qual não é mais k a passagem para um novo novelo, desenrolando-se sabe-se lá onde...
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